Imunoterapia para Câncer Colorretal

O câncer colorretal é o terceiro tipo de câncer mais frequente entre os homens e o segundo entre as mulheres. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que em 2018 tem como estimativa 35 mil novos casos para todo o Brasil.

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Dia Nacional de Combate ao Câncer de Intestino, 27 de março, é a data escolhida para conscientização, prevenção e tratamento da doença. Caracterizado por tumores no intestino grosso (o cólon) e no reto, o câncer colorretal tem como fatores de risco a má alimentação, histórico familiar, baixo consumo de cálcio, além da obesidade e sedentarismo.

Diagnóstico e tratamento

Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos – lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso. Uma maneira de prevenir o aparecimento dos tumores seria a detecção e a remoção dos pólipos antes de eles se tornarem malignos. Esses tumores podem ser facilmente detectados através de dois exames: pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopia.

O tratamento depende de fatores como tamanho, localização e extensão do tumor. Geralmente a cirurgia é o tratamento inicial e, em seguida, a radioterapia, associada ou não à quimioterapia.

A imunoterapia pode ser utilizada para tratar algumas formas de câncer colorretal avançado.

Inibidores do Ponto de Controle Imunológico

Uma parte importante do sistema imunológico é sua capacidade de atacar as células normais no corpo. Para fazer isso, ele usa proteínas do ponto de verificação nas células imunológicas, que atuam como interruptores que precisam ser ativados (ou desativados) para iniciar uma resposta imunológica. As células cancerígenas usam esses pontos de controle para evitar serem atacadas pelo sistema imunológico. Os medicamentos que tem como alvo esses pontos de controle são promissores no tratamento do câncer.

Pembrolizumab e Nivolumab. São medicamentos que tem como alvo a PD-1, uma proteína do sistema imunológico que funciona como um bloqueador do ataque das células imunes ao tumor. Ao bloquear a PD-1, estes medicamentos aumentam a resposta imunológica contra as células cancerígenas. Isso pode reduzir alguns tumores ou retardar seu desenvolvimento.



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Esses medicamentos podem ser usados em diversos tipos de tumores (pulmão, bexiga, cabeça e pescoço, melanoma, rim, alguns linfomas, entre outros). Especificamente em casos de câncer colorretal, estas medicações somente parecem ajudar no tratamento de uma pequena fração destes pacientes. São pacientes que têm uma deficiência hereditária em genes que codificam proteínas que reparam o DNA (material genético).

Quando estas proteínas estão deficientes (denominado de instabilidade de microssatélites ou MSI-High) imunoterápicos beneficiam pacientes em termos de ajudar a controlar a doença que já não responde a quimioterapia tradicional. Somente pacientes com câncer colorretal com instabilidade de microssatélite (deficiência de genes reparadores) podem se beneficiar desta estratégia de tratamento. Esta indicação ainda não consta da bula de nenhum imunoterápico no Brasil.



O pembrolizumab é administrado por infusão intravenosa, a cada 3 semanas. E o nivolumab é administrado por via endovenosa, a cada 2 semanas.

Possíveis Efeitos Colaterais

Os efeitos colaterais podem incluir fadiga, febre, tosse, falta de ar, coceira, erupção cutânea, náuseas, perda de apetite, diarreia, constipação e dor nas articulações ou músculos.

Outros efeitos colaterais graves podem ocorrer com menos frequência. Os inibidores do ponto de controle funcionam basicamente removendo os freios no sistema imunológico do corpo. Às vezes, o sistema imunológico ataca outras partes do corpo, provocando problemas nos pulmões, intestinos, fígado, glândulas hormonais, rins ou outros órgãos.

É importante relatar qualquer novo efeito colateral ao seu médico, para que ele possa ser gerenciado, e se for o caso diminuir a dose dos medicamentos ou mesmo interromper o tratamento temporariamente.

Fonte: American Cancer Society (24/05/2017)Oncoguia

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DIREITOS DO PACIENTE ONCOLÓGICO

Com o avanço da ciência, muitos medicamentos são registrados inicialmente na ANVISA para uma determinada doença, mas, em razão da burocracia, passam a ser utilizadas para outros tratamentos, que não constam na bula, sem a devida aprovação das autoridades de saúde. 

Por constituírem medicamentos off label (fora da bula), os planos de saúde negam a cobertura das Imunoterapias, porém, o Judiciário considera a recusa abusiva, pois cabe exclusivamente ao médico a escolha do tratamento mais adequado ao paciente.