Sobrevivência após câncer de mama não depende do gene Angelina Jolie

Pacientes têm tempo para decidir pela realização da dupla mastectomia

brca-cancer-mama-angelina-jolie

A mutação do BRCA aumenta as chances de uma mulher desenvolver câncer de mama, mas após o diagnóstico da doença, sua ação não afeta as taxas de sobrevivência em relação às outras pacientes, revela estudo publicado nesta quinta-feira na revista “Lancet Oncology”. O BRCA ficou conhecido como “gene Angelina Jolie” após a atriz revelar que havia passado por uma cirurgia para remoção dos seios. Exames genéticos indicaram que ela tinha 87% de chances de desenvolver um tumor.

— Nosso estudo é o maior já realizado e nossos resultados sugerem que mulheres jovens com câncer de mama que têm uma mutação no BRCA têm a mesma sobrevivência das mulheres que não carregam a mutação após o tratamento — explica Diana Eccles, professora na Universidade de Southampton e autora principal do estudo.

Os pesquisadores acompanharam ao longo de dez anos 2.733 pacientes, entre 18 e 40 anos, que foram tratadas em 127 hospitais do Reino Unido entre 2000 e 2008, sendo que 12% possuíam a mutação no BRCA, e um terço destas passaram por dupla mastectomia após o diagnóstico. Ao longo do estudo, 651 pacientes morreram por causa da doença, e os dados revelam que a presença da mutação genética e a cirurgia de remoção dos dois seios não afetam as taxas de sobrevivência.

Dois anos após o tratamento, a taxa de sobrevivência das pacientes com a mutação foi de 97%, contra 96,6% das outras pacientes; cinco anos depois, as taxas foram de 83,8% e 85%; e, após dez anos, de 73,4% e 70,1%.

A mutação no BRCA faz com que o DNA pare de se reparar, aumentando os riscos para o desenvolvimento de câncer, principalmente nas mamas, nos ovários e na próstata. No Reino Unido, entre 45% e 90% das mulheres com mutação no BRCA desenvolvem câncer de mama durante a vida, contra apenas 12,5% das mulheres sem a mutação. Por esse motivo, é comum que vítimas do câncer de mama retirem o outro seio não afetado para evitar o reaparecimento da doença. Ou, como no caso de Angelina, retirem os seios antes do aparecimento de tumores.

— Mulheres diagnosticadas com câncer de mama que carregam a mutação no BRCA muitas vezes são aconselhadas a fazer a dupla mastectomia logo após o diagnóstico ou o tratamento quimioterápico — explicou Diana. — Entretanto, nossos resultados sugerem que a cirurgia não precisa ser realizada imediatamente.

brca-cancer-mama-angelina-jolie

LEIA MAIS: Cirurgia preventiva de câncer é um direito da mulher

Contudo, os pesquisadores ressaltam que o estudo acompanhou as pacientes pelo período de dez anos, portanto, os efeitos sobre prazos mais longos podem ser beneficiadas. Mesmo assim, a decisão sobre a retirada da mama não afetada pelo tumor não precisa ser imediata. Com os resultados, os pesquisadores recomendam que os médicos assegurem às pacientes que o atraso em um ou dois anos para a dupla mastectomia, para que elas se recuperem do tratamento inicial, não afeta as chances de sobrevivência.

— Em prazos mais longos, a cirurgia para redução de riscos deve ser discutida como uma opção para portadoras da mutação no BRCA, para minimizar o risco futuro de um novo câncer de mama ou no ovário — afirmou Diana. — Decisões sobre o tempo da cirurgia adicional para reduzir riscos de câncer no futuro devem levar em conta o prognóstico da paciente após o primeiro câncer e suas preferências pessoais. Fonte: O Globo | Sociedade

DIREITOS DA MULHER

É de suma importância esclarecer que a cirurgia preventiva não é indicada para todas as mulheres, bem como deve somente ser realizada nos casos em que houver indicação expressa do médico e decidido com muita parcimônia.

No entanto, havendo a indicação da cirurgia preventiva, a mulher adquire o direito de realizar a terapêutica sob o custeio integral de seu plano de saúde, vez que, uma das finalidades da prestação privada de serviços à saúde é garantir a prevenção de todas as patologias reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde.

Portanto, em caso de prescrição médica para cirurgia preventiva oncológica, a mulher deve procurar os seus direitos e não aceitar as negativas ofertadas pelas operadoras de saúde, pois o Código de Defesa do Consumidor, a Lei 9.656/98 e a Justiça são grandes aliados na luta pelo direito à saúde.

SAIBA MAIS: Justiça garante o direito de realizar cirurgia preventiva de câncer pelo plano de saúde