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Medicamento niraparib

Novo remédio contra câncer de ovário potencializa efeitos da quimioterapia

Veja Saúde | Chloé Pinheiro | 10/03/2021

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o remédio niraparibe, da GSK, para o tratamento do câncer de ovário. Considerado inovador, o comprimido funciona como um tratamento de manutenção. Ou seja, ele de certa forma prolonga ou potencializa os efeitos da quimioterapia. A ideia é adiar o retorno da doença (recidiva) ou frear a sua progressão. É que, apesar de a quimioterapia funcionar, até 85%
das mulheres com tumor de ovário eventualmente sofrem uma recidiva.

“O medicamento demonstrou excelentes resultados de eficácia e segurança em estudos, sem impacto na qualidade de vida. Além disso, o fato de ser um comprimido de dose única diária é vantajoso, porque estamos falando de um tratamento de longo prazo, que se estende por meses”, explica a oncologista Vanessa Fabrício, diretora médica de
Oncologia da GSK.

Duas pesquisas publicadas no New England Journal of Medicine amparam sua liberação. Na mais recente, 733 mulheres recém-diagnosticadas com um tumor no ovário fizeram sessões de químio e, na sequência, começaram a tomar o niraparibe. Em comparação com voluntárias que só receberam placebo após a quimioterapia, elas tiveram um risco 38% menor de progressão da doença ou de morte.

Outra investigação se concentrou em pessoas que já haviam visto o câncer retornar. Toda se submeteram a novas rodadas de quimioterapia e tiveram respostas positivas. A partir daí, metade tomou o niraparibe e o restante ficou com pílulas de farinha.

Nesse contexto, a medicação foi ainda mais benéfica. Em comparação com o placebo, ela proporcionou uma queda de 73% no risco de morte ou de progressão da enfermidade entre participantes com mutações nos genes BRCA. O número ficou em 55% nas que não possuíam essa alteração (ainda bastante positivo).

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Explicamos: mutações nos genes BRCA 1 e 2 estão associadas ao surgimento de diversos tipos de câncer, entre eles os de ovário. Hoje inclusive existe um medicamento similar ao niraparibe, que também traz vantagens para mulheres com câncer de ovário. É o olaparibe, da AstraZeneca.

A diferença é que o niraparibe pode beneficiar mulheres com ou sem alterações nesse par de genes. “Isso é interessante porque temos pouco acesso a testes genéticos que mapeiam essas mutações no país”, aponta Vanessa.

Diante dessas pesquisas, essa droga está indicada para mulheres diagnosticadas pela primeira vez com o câncer de ovário, e para aquelas que sofreram uma recidiva e obtiveram algum benefício com novas rodadas de quimioterapia.

 

Como atua o medicamento

 

Ele é um inibidor de Parp, enzima que atua no mecanismo de reparo do DNA das células cancerosas. Veja: o código genético de toda célula está sujeito a danos, seja durante o processo normal de divisão ou por causa de agentes externos. Daí porque temos um sistema de reparo bem eficiente. O problema é que ele também funciona (ao menos em parte) nas células malignas, ajudando-as a se manterem vivas.

“A quimioterapia com platina provoca danos no DNA dessas células, e o inibidor impede que a Parp corrija os erros, o que leva à morte do tecido”, explica Vanessa.

“A chegada de Zejula amplia muito o grupo de pacientes que poderão se beneficiar do uso desta categoria e consequente controle da doença”, aponta em comunicado à imprensa o oncologista Fernando Maluf, diretor do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital BP Mirante de São Paulo.

Apesar da aprovação, o remédio ainda deve demorar um tempinho antes de ficar disponível. Isso porque há um processo de definição de preço junto às autoridades sanitárias. Não há previsão de quando ele irá parar na rede pública (ou mesmo se isso vai acontecer).

 

O câncer de ovário

 

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) calcula que 6 650 novos casos sejam diagnosticados ao ano, com 4 123 óbitos registrados no mesmo período. Trata-se da segunda neoplasia ginecológica mais comum, perdendo só para o câncer de colo de útero.

Apesar de relativamente raro, esse tipo de tumor desafia os oncologistas. Além de voltar com frequência, seus sintomas só aparecem quando a doença já está avançada: cerca de 75% das mulheres recebem o diagnóstico quando ela se espalhou para outros órgãos. Com a descoberta tardia, a mortalidade chega a 45%.

 



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