Segurança jurídica e governança: como a estruturação de contratos protege o patrimônio e a reputação de médicos e clínicas
No ecossistema da saúde, a confiança e a precisão são os pilares de sustentação. Nesse cenário, os contratos médicos emergem não como meras formalidades, mas como a arquitetura jurídica que garante segurança, eficiência e integridade às relações profissionais.
A gestão contratual proativa é uma ferramenta de governança essencial para a mitigação de riscos e o crescimento sustentável de clínicas e consultórios.
O papel estratégico da gestão contratual na medicina
O contrato é o mapa que delineia direitos e deveres com clareza. Na saúde, sua função é crítica: lida com o bem-estar e dados sensíveis. Um instrumento bem elaborado previne conflitos onerosos, protege o patrimônio e, sobretudo, preserva a reputação do profissional.
1. Contratos de prestação de serviços com pacientes
Este documento formaliza a relação médico-paciente. Para estar em conformidade com o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e as resoluções do CFM, ele deve:
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Estabelecer honorários e políticas de cancelamento de forma transparente.
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Utilizar linguagem clara e acessível.
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Seguir requisitos formais, como fonte mínima tamanho 12 para facilitar a leitura.
2. Contratos societários: O “DNA” da clínica
Para clínicas com múltiplos sócios, o Contrato Social e o Acordo de Sócios devem prever:
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Regras claras para distribuição de lucros.
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Critérios para entrada e saída de sócios (retirada ou exclusão).
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Mecanismos de resolução de disputas para evitar a dissolução judicial da sociedade.
3. Relações com terceiros e a LGPD
Parcerias com outros profissionais, laboratórios e fornecedores de software exigem cláusulas rígidas de confidencialidade. Sob a égide da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), é indispensável a inclusão de:
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SLA (Service Level Agreement): Para garantir a qualidade do serviço técnico.
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DPA (Data Processing Addendum): Para definir responsabilidades no tratamento de dados de saúde.
4. Locação comercial e normas sanitárias
O contrato de locação de uma clínica não é comum. Ele deve prever a viabilidade do imóvel perante a Vigilância Sanitária (ANVISA) e permitir as adaptações estruturais necessárias para a atividade médica sem penalidades excessivas ao locatário.
Conformidade legal e ética (compliance médico)
A validade de um contrato na saúde depende da estrita observância ao marco regulatório:
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Código de Ética Médica: Cláusulas que mercantilizem a medicina ou restrinjam a autonomia profissional são nulas.
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Resoluções do CFM: Devem ser observadas as normas sobre publicidade médica e telemedicina para evitar processos ético-profissionais.
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Sérgio Meredyk Filho, advogado.
Segurança Jurídica: A personalização dos instrumentos evita o uso de modelos genéricos que não protegem as particularidades de cada especialidade.
Este artigo possui caráter meramente informativo e educativo, não constituindo consulta jurídica ou promessa de resultados.
Conteúdo publicado em: 11/02/2026
Autoria técnica: Sérgio Meredyk Filho, advogado e sócio do Vilhena Silva Advogados – OAB: 331.970
Revisão jurídica:Equipe Vilhena Silva Advogados












