negativa de plano de saúde; rol da ANS; direitos do paciente; liminar contra plano de saúde; RN 623/2024; justificativa de recusa médica; Notificação de Intermediação Preliminar; NIP ANS; cobertura de tratamento; direito à saúde

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O presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Wadih Damous, afirmou que já orientou pessoas próximas a recorrer à Justiça após negativas de tratamento por planos de saúde. A declaração ganhou repercussão porque partiu do dirigente da instituição responsável por regular e fiscalizar o setor.

A fala, no entanto, precisa ser compreendida em seu contexto. Damous esclareceu que isso ocorreu “uma ou outra vez” e em situações nas quais havia laudo médico e o tratamento solicitado estava previsto no rol da ANS. Segundo ele, o episódio evidencia a falta de instrumentos legais para que a agência determine, com a rapidez necessária, a prestação da assistência em um caso individual.

A própria ANS registrou, ao comentar o evento em que ocorreu a declaração, que a judicialização seria “um sintoma, não a causa”. O diretor-presidente defendeu mais poderes instrumentais e cautelares para a agência e afirmou que procedimentos previstos no contrato e no rol não podem ser objeto de negativas sistemáticas ou de postergações.

Mas o que isso significa para quem teve um exame, uma cirurgia, um medicamento ou outro tratamento recusado pelo plano de saúde?

 

O plano de saúde pode negar um tratamento previsto no rol da ANS?

A inclusão do procedimento no rol é um elemento importante para o reconhecimento da cobertura obrigatória, mas o caso deve ser analisado de acordo com o contrato, a segmentação do plano, a indicação médica e as regras específicas do procedimento.

O rol da ANS estabelece a cobertura assistencial mínima obrigatória dos planos contratados a partir de 2 de janeiro de 1999 e dos contratos anteriores adaptados à Lei dos Planos de Saúde. A cobertura varia conforme a segmentação contratada, que pode ser ambulatorial, hospitalar, obstétrica, odontológica ou de referência.

Alguns procedimentos também estão sujeitos a Diretrizes de Utilização, conhecidas como DUT. Essas diretrizes estabelecem critérios clínicos para a cobertura obrigatória. Por isso, não basta verificar apenas se o nome do tratamento aparece na lista: é necessário conferir as condições regulatórias aplicáveis e a documentação médica apresentada.

Quando o procedimento está abrangido pelo contrato e pelas regras da ANS, uma recusa sem justificativa adequada pode ser questionada. A operadora não pode simplesmente responder que o pedido está “em análise”, “em auditoria” ou “em processamento” por tempo indeterminado.

 

O que a declaração do presidente da ANS revela?

A manifestação evidencia uma diferença entre a atuação administrativa da ANS e a proteção judicial de um paciente específico.

A ANS possui poderes para regulamentar o setor, fiscalizar operadoras, aplicar penalidades, monitorar a garantia de atendimento e suspender a comercialização de planos que apresentem problemas assistenciais reiterados.

A agência também recebe reclamações e promove a intermediação entre beneficiários e operadoras. Esses instrumentos são importantes e podem solucionar parte dos conflitos sem a necessidade de processo judicial.

Entretanto, a fiscalização administrativa e a eventual aplicação de uma multa não produzem necessariamente, no tempo exigido pela condição clínica, o tratamento de que determinado paciente necessita. Quando há risco de agravamento, interrupção de terapia ou perda da oportunidade de tratamento, a via judicial pode ser avaliada para buscar uma ordem dirigida ao caso concreto.

Isso não significa que toda negativa deva resultar em ação judicial. Significa que cada caso precisa ser analisado de acordo com a urgência, a documentação médica, o contrato e o fundamento utilizado pela operadora.

 

A operadora do plano de saúde é obrigada a fornecer a negativa por escrito?

Sim. A negativa de autorização deve ser formalizada, fundamentada e disponibilizada em formato que permita sua impressão ou download.

A Resolução Normativa nº 623/2024, em vigor desde 1º de julho de 2025, reforçou os deveres de transparência das operadoras. Sempre que o beneficiário apresentar uma solicitação, deve receber um número de protocolo no início do atendimento.

Se o procedimento for recusado, a operadora deve informar de forma detalhada e em linguagem clara:

•o motivo da negativa;

•a cláusula contratual ou o dispositivo legal utilizado como fundamento;

•os canais disponíveis para solicitar a reanálise da decisão.

A justificativa deve ser entregue mesmo que o beneficiário não faça um pedido específico para recebê-la por escrito. Respostas genéricas não atendem às exigências da norma.

O documento é importante porque permite verificar se a recusa está baseada no contrato, em uma regra da ANS, em alegação de carência, em ausência de cobertura, em Diretriz de Utilização ou em outro fundamento.

 

Quanto tempo o plano tem para responder?

A RN nº 623/2024 estabelece prazos para a resposta às solicitações assistenciais:

  • Urgência ou emergência: imediato;
  • Demais solicitações assistenciais, quando não houver resposta imediata: até 5 dias úteis;
  • Procedimento de alta complexidade ou internação eletiva: até 10 dias úteis.

Esses são prazos para a resposta da operadora. Eles não substituem os prazos máximos para a efetiva realização de consultas, exames, terapias e internações. Se o prazo assistencial for menor, deve prevalecer o prazo mais curto.

Nos casos de urgência e emergência, a ANS determina atendimento imediato. A Lei nº 9.656/1998 considera emergência a situação que implique risco imediato de vida ou de lesões irreparáveis, caracterizada por declaração do médico assistente. A urgência abrange os casos decorrentes de acidentes pessoais ou de complicações no processo gestacional.

 

É possível pedir a reanálise da negativa do plano?

Sim. O beneficiário pode pedir que a Ouvidoria da própria operadora reanalise a solicitação.

No momento da negativa, o plano deve informar essa possibilidade e apresentar os canais da Ouvidoria. O prazo ordinário para resposta à reanálise não pode ser superior a sete dias úteis.

A reanálise pode corrigir uma decisão administrativa, mas não suspende nem amplia os prazos máximos de atendimento. Se o paciente não puder aguardar em razão do quadro clínico, isso deverá ser considerado na escolha da medida adequada.

 

É obrigatório reclamar à ANS antes de procurar a Justiça?

Não existe uma regra geral que obrigue o beneficiário a concluir uma reclamação na ANS antes de buscar proteção judicial.

A agência recomenda que o consumidor entre primeiro em contato com a operadora, guarde o protocolo e, se o problema não for resolvido, registre uma reclamação em seus canais de atendimento.

A reclamação é encaminhada à operadora por meio da Notificação de Intermediação Preliminar (NIP). Em questões relacionadas à cobertura assistencial, a empresa tem cinco dias úteis para responder ao consumidor. Se não houver solução, a ANS poderá instaurar procedimento administrativo, que pode resultar em penalidade.

Demandas assistenciais (envolvem cobertura de exames, cirurgias, internações ou tratamentos): 5 dias úteis. Demandas não assistenciais (questões sobre reajustes, mensalidades ou contratos): 10 dias úteis

A NIP é um instrumento relevante e pode solucionar o conflito. Entretanto, em uma situação urgente, aguardar a conclusão da via administrativa pode ser incompatível com o tempo clínico do paciente. Nesses casos, é recomendável buscar avaliação jurídica individualizada para verificar quais providências são adequadas.

 

Quando uma medida judicial urgente pode ser analisada?

Uma ação judicial pode conter pedido de tutela de urgência, popularmente conhecido como liminar. De acordo com o artigo 300 do Código de Processo Civil, a medida exige elementos que demonstrem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo.

Em conflitos com planos de saúde, a análise costuma considerar documentos como:

•relatório médico detalhado;

•prescrição do tratamento;

•diagnóstico e histórico clínico;

•justificativa sobre a urgência;

•riscos decorrentes do atraso ou da interrupção;

•negativa formal da operadora;

•contrato, carteirinha e comprovantes de pagamento;

•protocolos de atendimento e comunicações com o plano.

A concessão da medida não é automática. O juiz examina as circunstâncias e as provas de cada caso. Por isso, um relatório médico completo pode ser determinante para explicar a necessidade, a urgência e as consequências clínicas da demora.

 

E se o tratamento não estiver no rol da ANS?

Os tratamentos fora do rol seguem critérios diferentes daqueles mencionados pelo presidente da ANS.

A Lei nº 14.454/2022 estabeleceu que o rol constitui referência básica e admitiu a cobertura de procedimento não listado quando atendidos os critérios legais, relacionados à eficácia baseada em evidências científicas ou à recomendação de órgãos de avaliação de tecnologias em saúde.

Em setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 7.265, estabeleceu cinco requisitos cumulativos para que a Justiça determine a cobertura de tratamento fora do rol:

1.prescrição por médico ou odontólogo assistente;

2.inexistência de negativa expressa da ANS ou de análise pendente para inclusão do tratamento;

3.inexistência de alternativa terapêutica adequada no rol;

4.comprovação científica de eficácia e segurança;

5.registro do tratamento na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O STF também estabeleceu a necessidade de demonstrar que houve negativa, demora excessiva ou omissão da operadora. Portanto, a prescrição médica permanece essencial, mas pode não ser suficiente, isoladamente, nos casos de tratamento extrarrol.

 

A judicialização contra planos de saúde é frequente?

Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que a judicialização da saúde suplementar tem dimensão relevante. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, foram registrados 123 mil casos novos no primeiro grau e 108 mil no segundo grau. Esses números correspondem a entradas em graus de jurisdição distintos e não devem ser somados como se representassem necessariamente processos únicos.

Na Justiça Estadual, 69% das liminares examinadas foram deferidas. O percentual de procedência das demandas de saúde suplementar foi de 82%. Medicamentos e tratamentos médicos corresponderam a 69% dos assuntos analisados.

Os percentuais ajudam a compreender a dimensão do problema, mas não representam garantia de resultado. Cada processo depende de suas próprias provas, das características do contrato e da legislação aplicável.

 

O que fazer após uma negativa de cobertura do plano?

Diante da recusa, o beneficiário pode adotar algumas providências para documentar o caso:

1.Anote o protocolo da solicitação e de todos os contatos com a operadora.

2.Obtenha a negativa formal, com o motivo, a cláusula contratual ou o dispositivo legal invocado.

3. Peça um relatório médico detalhado, que explique o diagnóstico, o tratamento indicado, a urgência e os riscos da demora.

4. Reúna o contrato e os documentos do plano, além de exames, receitas e comprovantes de pagamento.

5. Solicite a reanálise pela Ouvidoria da operadora quando o tempo clínico permitir.

6. Registre uma reclamação na ANS, se a medida for compatível com a urgência do caso.

7. Busque orientação jurídica individualizada se a negativa for mantida, se houver risco à saúde ou se o tratamento não puder aguardar.

 

Afinal, a reclamação na ANS resolve ou é necessário recorrer à Justiça?

Não existe uma resposta única. A reclamação à ANS pode levar a operadora a rever a negativa e também permite que a agência monitore e fiscalize o comportamento do plano.

A via judicial, por sua vez, pode ser necessária quando o paciente precisa de uma providência individual em tempo incompatível com a tramitação administrativa. A escolha depende da urgência, da justificativa da recusa e das provas disponíveis.

A declaração do presidente da ANS não deve ser interpretada como incentivo indiscriminado à judicialização. Ela revela, contudo, que o próprio regulador reconhece uma dificuldade concreta: em determinadas situações, fiscalizar ou punir a operadora posteriormente não é suficiente para assegurar o tratamento no momento em que o paciente precisa.

Se um procedimento foi recusado, a análise deve começar pela documentação. A presença do tratamento no rol, a segmentação do plano, as condições contratuais, as regras da ANS e a fundamentação médica são elementos que ajudam a definir o caminho adequado.

 

O plano pode negar um procedimento que está no rol da ANS?

A cobertura é obrigatória quando o procedimento está abrangido pelo tipo de plano contratado e são atendidas as regras aplicáveis. A negativa deve ser fundamentada e pode ser questionada conforme as circunstâncias do caso.

A negativa deve ser entregue por escrito?

Sim. A operadora deve formalizar a recusa, explicar o motivo e indicar a cláusula contratual ou o dispositivo legal utilizado. O documento deve permitir impressão ou download.

Preciso reclamar à ANS antes de entrar com uma ação?

Não há uma exigência geral de esgotamento da via administrativa. A reclamação pode solucionar o problema, mas uma situação urgente pode justificar avaliação jurídica imediata.

A prescrição médica garante a cobertura?

A prescrição é uma prova central, mas a cobertura também depende do contrato, do tipo de plano e das regras aplicáveis ao procedimento. Nos tratamentos fora do rol, devem ser observados os requisitos fixados pelo STF.

As informações deste artigo possuem caráter exclusivamente informativo, com base na legislação e jurisprudência vigentes à época da atualização, não substituindo a análise individualizada de um profissional habilitado.

TATIANA KOTA

Tatiana Kota

Conteúdo publicado em: 15/09/2026
Autoria técnica: Tatiana Kota, advogada do Vilhena Silva Advogados – OAB: 238.323
Revisão jurídica:Equipe Vilhena Silva Advogados

 

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Veja Saúde por Tatiana Kota

 

Enquanto operadoras registram lucros recordes, sistemas automatizados de triagem podem responder por parte significativa das negativas de cobertura no país

A inteligência artificial (IA) consolidou-se como uma ferramenta estratégica no mercado de saúde suplementar.

Operadoras de planos de saúde implementaram sistemas automatizados para analisar pedidos de cobertura com a promessa de aumentar a eficiência, reduzir custos e acelerar processos.

No entanto, essa transformação tecnológica traz impactos profundos que afetam diretamente o acesso dos pacientes a tratamentos essenciais.

Do ponto de vista corporativo, a automação oferece ganhos significativos de escala. Sistemas baseados em algoritmos processam milhares de solicitações em tempo real, eliminando gargalos administrativo…

Investigações internacionais servem de alerta para a dimensão dessa velocidade. Nos Estados Unidos, dados indicaram que a operadora Cigna negou mais de 300 mil pedidos em apenas dois meses, com cada análise levando, em média, 1,2 segundos. Em termos comparativos, uma auditoria médica tradicional demanda entre 5 e 15 minutos por caso.

A IA permite mapear padrões de sinistralidade com precisão, aplicando critérios de triagem que muitas vezes resultam em negativas em massa, sob a justificativa de “incompatibilidade técnica” entre o diagnóstico e o procedimento solicitado.

Um reflexo relevante dessa sistemática é que 80,8% das reclamações na ANS envolvem negativa de cobertura.

Em março de 2026, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou os dados alarmantes do setor. Em relação ao de 2024, o lucro líquido teve um aumento de 120,6%, passando para R$ 24,4 bilhões no ano seguinte. Em contrapartida, o índice de sinistralidade (percentual da receita utilizado para cobrir despesas assistenciais) reduziu 2,1 pontos percentuais.

Em junho de 2026, novos números foram publicados pela ANS e refletem um mercado vantajoso, acumulando um lucro líquido, do primeiro trimestre de 2026, no patamar de R$ 6.3 bilhões.

 

Quando o algoritmo ignora as particularidades do paciente

Outro ponto importante é que os algoritmos eliminam a subjetividade humana, desconsiderando faixa etária, tratamentos prévios e resposta clínica, análise pormenorizada para abordagem distinta, em razão de comorbidades do paciente.

Enquanto a auditoria médica tradicional avalia as particularidades do prontuário, a IA atua de forma binária e padronizada. O resultado é a desconsideração de prescrições médicas legítimas que fogem ao padrão estatístico programado no sistema.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou para o risco do “etarismo algorítmico”, em que sistemas são programados para priorizar o custo-benefício de tratamentos voltados a pacientes mais jovens, restringindo terapias complexas para a população idosa.

Da mesma forma, patologias com diagnósticos historicamente subnotificados ou tratamentos específicos de saúde da mulher correm o risco de sofrer maiores taxas de rejeição automatizada.

A delegação de decisões de cobertura a sistemas automatizados altera a relação médico-paciente e afasta a dimensão humanitária do ato médico. A concessão ou recusa de um tratamento deixa de basear-se no prognóstico de saúde e passa a seguir uma lógica de otimização de fluxo financeiro.

 

O panorama jurídico e regulatório no Brasil

O uso de inteligência artificial na saúde suplementar opera em um ambiente de intensa evolução jurisprudencial e normativa no país.

O ordenamento jurídico brasileiro dispõe de mecanismos que limitam o poder de decisão exclusivo das máquinas.

O Conselho Federal de Medicina regulamentou de forma direta a governança e o uso da inteligência artificial na prática médica. A Resolução CFM nº 2.454/2026 estabelece balizas claras:

Fica expressamente proibida a emissão de pareceres de negativa de cobertura assistencial de forma 100% automatizada por sistemas de inteligência artificial. Toda decisão de recusa deve obrigatoriamente passar pela revisão, análise crítica e assinatura de um médico auditor responsável.

Essa norma visa garantir que o julgamento clínico humano prevaleça sobre os critérios estritamente estatísticos das ferramentas tecnológicas.

 

O que dizem as leis

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD — Lei nº 13.709/18) assegura ao titular o direito de solicitar a revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado de dados que afetem seus interesses.

Isso se soma ao artigo 51 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que nulifica cláusulas contratuais que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada ou que infrinjam o princípio da boa-fé.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) mantém o entendimento consolidado de que a recusa injustificada de cobertura de tratamento médico por parte do plano de saúde configura conduta abusiva.

Para coibir abusos e garantir a segurança jurídica no setor, a atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e dos órgãos de defesa do consumidor deve convergir para transparência. O beneficiário precisa ser informado sobre a ferramenta no processamento de sua solicitação, bem como receber uma resposta com fundamentação clara, técnica sobre o motivo da recusa.

A busca por eficiência e redução de custos operacionais encontra limite intransponível na preservação da vida e no cumprimento dos contratos de assistência à saúde.

O controle judicial e a fiscalização regulatória rigorosa mostram-se indispensáveis para reequilibrar a relação de consumo, assegurando que as inovações tecnológicas sirvam como ferramentas de aprimoramento da gestão e do suporte clínico, e nunca como mecanismos automatizados de exclusão assistencial.

Medicamento Inlyta (Axitinibe); negativa de tratamento pelo plano de saúde, negativa de medicamento pelo plano de saúde, liminar para tratamento oncológico

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Sim, o paciente tem direito ao custeio integral do Inlyta (Axitinibe) pelo plano de saúde, pois a lei obriga a cobertura de tratamentos oncológicos domiciliares. Havendo prescrição médica fundamentada e registro na Anvisa, a recusa da operadora baseada no Rol da ANS é considerada ilegal pela Justiça.

Receber o diagnóstico de carcinoma de células renais (câncer de rim) avançado desestabiliza qualquer estrutura familiar. Quando o médico receita uma medicação de alta complexidade como o Inlyta (Axitinibe), a urgência em começar o tratamento esbarra na recusa de cobertura por parte da operadora de saúde — uma situação desgastante, mas que pode ser revertida.

A negativa do plano de saúde para o fornecimento do Inlyta é considerada abusiva pela Justiça na maior parte dos casos. A legislação brasileira protege o direito à vida e garante o acesso a tratamentos oncológicos prescritos por especialistas, independentemente do custo do medicamento.

Entenda os motivos legais que obrigam os planos a custear o Axitinibe e saiba como agir para garantir o seu direito de forma rápida.

O que é o Inlyta (Axitinibe) e quando é indicado?

O Inlyta, cujo princípio ativo é o axitinibe, é um medicamento de uso oral indicado para o tratamento de pacientes adultos com carcinoma de células renais avançado. Ele funciona como um inibidor de tirosina quinase, agindo diretamente no bloqueio de proteínas que ajudam as células tumorais a crescer e a desenvolver novos vasos sanguíneos.

Por se tratar de uma terapia alvo de alto custo, as operadoras frequentemente criam barreiras para evitar o fornecimento. O medicamento possui registro regular na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e eficácia científica comprovada, sendo comumente prescrito após a falha de terapias anteriores ou em combinação com imunoterápicos em primeira linha.

Principais argumentos dos planos para negar o Axitinibe (e por que são ilegais)

Os planos de saúde costumam usar justificativas padronizadas para negar o Inlyta. As três principais são:

  • Exclusão do Rol da ANS: alegação de que o procedimento ou a combinação específica não consta na lista da agência;

  • Medicamento de uso domiciliar: argumento de que contratos não cobrem remédios tomados em casa;

  • Tratamento experimental (Off-label): quando a indicação do médico difere ligeiramente do que está na bula;

Nenhum desses argumentos se sustenta perante o Direito à Saúde atual.

A obrigatoriedade em tratamentos oncológicos

A Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/1998), em seu artigo 35-F, estabelece a obrigatoriedade de cobertura do tratamento de câncer. Além disso, a lei determina expressamente que medicamentos antineoplásicos orais de uso domiciliar devem ser custeados pela operadora. O fato de o paciente tomar o comprimido em casa não retira a responsabilidade do plano.

O fim do Rol Taxativo da ANS (Lei 14.454/2022)

Aprovada para encerrar discussões jurídicas, a Lei nº 14.454/2022 determinou explicitamente que o Rol de Procedimentos da ANS tem caráter exemplificativo. A lista da agência funciona apenas como uma cobertura mínima.

Tratamentos que não estão no rol devem ser cobertos se cumprirem dois critérios:

  1. Eficácia comprovada com base em evidências científicas.

  2. Recomendação por órgãos de tecnologia de saúde renomados (como a Conitec ou entidades internacionais). O Inlyta preenche estes requisitos.

A soberania da indicação médica

O entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) aponta que quem define o tratamento do paciente é o médico assistente, e não a operadora de saúde. Se o plano cobre a doença (o câncer de rim), ele não pode ditar qual método ou fármaco será utilizado para combatê-la. Se há relatório médico fundamentando a escolha do Axitinibe, a recusa de cobertura é considerada abusiva.

O que fazer caso o plano negue o Inlyta (Axitinibe)?

Se você recebeu a negativa do plano, o caminho mais rápido para obter o medicamento é buscar a via judicial. O processo técnico exige três passos essenciais:

  1. Exija a negativa por escrito: é direito do consumidor receber a justificativa da recusa detalhada e por escrito. As operadoras costumam enviar essa resposta por e-mail ou via canais de atendimento.

  2. Peça um relatório médico detalhado: o médico oncologista deve emitir um laudo explicando o histórico do paciente, a gravidade do carcinoma, por que o Inlyta é a melhor opção e, principalmente, os riscos de progressão da doença caso o tratamento sofra atrasos.

  3. Consulte um advogado especializado em Direito à Saúde: Com a recusa em mãos e o relatório médico, um profissional especializado pode acionar o Poder Judiciário por meio de uma ação com pedido de liminar (tutela de urgência).

Em demandas que envolvem tratamento de câncer, juízes costumam analisar os pedidos de liminar em caráter de urgência, muitas vezes emitindo uma decisão em poucos dias para obrigar o plano a fornecer o Axitinibe imediatamente, sob pena de multa diária.

Focar na recuperação e no tratamento é a prioridade do paciente. Restrições contratuais e burocracias da ANS não podem se sobrepor ao direito à vida e ao tratamento adequado.

Este artigo possui caráter estritamente informativo e educativo, com o objetivo de orientar o cidadão sobre seus direitos gerais. Ele não substitui a consulta jurídica individualizada nem uma análise pormenorizada do seu caso e do seu contrato por um profissional qualificado.

 

TATIANA KOTA

Tatiana Kota

Conteúdo publicado em: 26/06/2024
Conteúdo atualizado em: 29/06/2026
Autoria técnica: Tatiana Kota, advogada do Vilhena Silva Advogados – OAB: 238.323
Revisão jurídica: Equipe Vilhena Silva Advogados

Medicamento de alto custo plano de saúde; Olaparibe plano de saúde; Lynparza cobertura obrigatória; Negativa de plano de saúde Olaparibe; Medicamento de alto custo plano de saúde; Tratamento oncológico domiciliar oral

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O diagnóstico de câncer traz consigo não apenas desafios emocionais e físicos, mas frequentemente impõe barreiras financeiras e burocráticas no acesso a tratamentos inovadores. Entre as terapias-alvo mais promissoras da atualidade, destaca-se o Olaparibe, comercializado sob o nome Lynparza. Uma dúvida recorrente entre pacientes oncológicos é: os planos de saúde são obrigados a custear este medicamento de alto custo? A resposta, amparada pela legislação brasileira e pela jurisprudência consolidada, é sim.

Este artigo detalha os fundamentos legais, as normativas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e o entendimento dos tribunais superiores que garantem o direito do paciente ao custeio do Olaparibe pelas operadoras de saúde.

O que é o medicamento Olaparibe (Lynparza) e suas indicações?

O Olaparibe é um inibidor da enzima PARP (poli ADP-ribose polimerase), utilizado no tratamento de diversos tipos de câncer, especialmente aqueles associados a mutações genéticas, como as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. O medicamento atua bloqueando o mecanismo de reparo do DNA das células tumorais, levando-as à morte celular.

Devido à sua eficácia comprovada, o Olaparibe possui registro regular na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e é indicado para o tratamento de câncer de ovário, câncer de mama, câncer de pâncreas e câncer de próstata, dependendo do estágio da doença e do perfil genético do paciente.

A cobertura obrigatória segundo a Lei dos Planos de Saúde

A Lei nº 9.656/1998, que regulamenta os planos e seguros privados de assistência à saúde no Brasil, estabelece diretrizes claras sobre a cobertura de tratamentos oncológicos. Um dos marcos mais importantes para os pacientes foi a inclusão da obrigatoriedade de cobertura para medicamentos antineoplásicos de uso oral.

Conforme o Artigo 12 da referida lei, as operadoras são obrigadas a garantir a cobertura de tratamentos antineoplásicos domiciliares de uso oral, incluindo medicamentos para o controle de efeitos adversos relacionados ao tratamento e adjuvantes. Como o Olaparibe é administrado via oral (comprimidos), ele se enquadra perfeitamente nesta exigência legal, não podendo o plano de saúde negar o fornecimento sob a justificativa de ser um tratamento domiciliar.

O Rol de Procedimentos da ANS e diretrizes de cobertura

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mantém um Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, que constitui a cobertura mínima obrigatória para os planos de saúde. O Olaparibe já figura neste rol para diversas indicações oncológicas importantes, consolidando o direito do paciente à medicação.

Atualmente, o medicamento possui cobertura obrigatória assegurada para os casos de Câncer de Ovário em estágio de manutenção. Além disso, atualizações recentes expandiram substancialmente esse direito: a Resolução Normativa nº 605/2024 determinou a inclusão obrigatória do Olaparibe para o tratamento adjuvante e metastático de pacientes adultos com Câncer de Mama inicial de alto risco HER2 negativo com mutação BRCA. Mais recentemente, a Resolução Normativa nº 673, de 15 de maio de 2026, incluiu formalmente a cobertura obrigatória do fármaco para cenários específicos de Câncer de Próstata.

O Entendimento dos tribunais e o Tema 990 do STJ

Apesar da clareza da legislação, é comum que operadoras de planos de saúde neguem o fornecimento do Olaparibe, alegando que o tratamento específico não consta no Rol da ANS ou que se trata de uso off-label (fora da bula). Nestes casos, a jurisprudência brasileira tem se posicionado firmemente a favor do paciente.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou entendimento vinculante através do Tema 990, estabelecendo que “As operadoras de plano de saúde não estão obrigadas a fornecer medicamento não registrado pela ANVISA”. A interpretação a contrario sensu desta tese é fundamental: se o medicamento possui registro na ANVISA — como é o caso do Olaparibe —, a operadora tem o dever de custeá-lo, desde que haja prescrição médica fundamentada.

Os tribunais têm reiterado que o plano de saúde pode estabelecer quais doenças terão cobertura, mas não pode ditar qual o tipo de tratamento utilizado para a cura. A escolha da melhor terapia cabe exclusivamente ao médico assistente. Portanto, cláusulas contratuais que excluem o custeio de medicamentos prescritos pelo médico responsável, mesmo que administrados em ambiente domiciliar, são consideradas abusivas e nulas de pleno direito.

A Lei nº 14.454/2022

Um avanço legislativo crucial ocorreu com a promulgação da Lei nº 14.454/2022, que alterou a Lei dos Planos de Saúde para estabelecer que o Rol da ANS tem caráter exemplificativo. Isso significa que é possível exigir a cobertura de tratamentos não incluídos expressamente nos anexos da ANS, desde que exista comprovação da eficácia do tratamento à luz das ciências da saúde e recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) ou de órgãos de avaliação de tecnologias em saúde de renome internacional.

Como o Olaparibe possui aprovação de agências internacionais rigorosas (como o FDA nos Estados Unidos) e recomendação favorável da Conitec para incorporação ao SUS, a negativa de cobertura pelos planos de saúde torna-se ainda mais insustentável juridicamente.

O que fazer em caso de negativa?

Se o plano de saúde negar o fornecimento do Olaparibe, o paciente não deve aceitar a recusa como definitiva. Os passos recomendados incluem:

  1. Exigir a negativa por escrito: solicite que a operadora forneça a justificativa da recusa formalmente, por escrito, em prazo razoável.

  2. Reunir documentação médica: obtenha um relatório médico detalhado do oncologista assistente, justificando a necessidade imprescindível do Olaparibe, a urgência do tratamento e a ineficácia de outras alternativas terapêuticas.

  3. Reclamação na ANS: registre uma queixa formal na Agência Nacional de Saúde Suplementar.

  4. Busca por tutela jurisdicional: Diante da urgência que os casos oncológicos demandam, a via judicial é frequentemente o caminho mais rápido e eficaz. Através de uma ação com pedido de liminar (tutela de urgência), é possível obrigar o plano de saúde a fornecer o medicamento em poucos dias.

 

Perguntas frequentes sobre o custeio de medicamento Olaparibe (Lynparza) (FAQ)

O plano de saúde pode negar o Olaparibe se ele for para uso domiciliar?
Não. A Lei nº 9.656/1998 obriga a cobertura de tratamentos antineoplásicos domiciliares de uso oral, o que inclui perfeitamente o Olaparibe (Lynparza).

Quanto tempo demora para conseguir o remédio pela Justiça?
Por se tratar de um tratamento oncológico de urgência, os pedidos de liminar (tutela de urgência) costumam ser analisados pelos juízes em poucos dias, frequentemente entre 24 e 72 horas.

O que significa o Rol da ANS ser exemplificativo?
Significa que a lista da ANS é apenas uma cobertura mínima padrão. Se o médico prescrever um tratamento com base científica sólida que não esteja na lista, o plano ainda assim é obrigado a custear, conforme a Lei nº 14.454/2022.

O direito à saúde e à vida sobrepõe-se a interesses puramente econômicos das operadoras de saúde. O Olaparibe (Lynparza) é um medicamento devidamente registrado na ANVISA, com eficiência científica comprovada e previsão legal de cobertura obrigatória, seja pela Lei 9.656/98, pelas normativas da ANS ou pelo entendimento pacificado do STJ. Pacientes que recebem prescrição médica para o uso desta terapia têm o direito inquestionável de ter o tratamento integralmente custeado por seus planos de saúde.

Atenção: Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa. Não substitui orientações médicas ou jurídicas individualizadas. Para decisões sobre tratamentos ou medidas legais, consulte um profissional qualificado.

TATIANA KOTA

Tatiana Kota

Conteúdo publicado em: 21/05/2026
Autoria técnica: Tatiana Kota, advogada do Vilhena Silva Advogados – OAB: 238.323
Revisão jurídica: Equipe Vilhena Silva Advogados

 

exame PET-PSMA68Ga e o tratamento PSMA com Lutécio177; Lu-PSMA-617 (Pluvicto) TM.

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A medicina nuclear, radiologia e oncologia trabalham juntas no diagnóstico e tratamento do câncer de próstata. Contudo, barreiras impostas pelas operadoras de planos de saúde podem dificultar o acesso a terapias inovadoras, desrespeitando o direito do paciente, como no exame PET-PSMA68Ga e o tratamento Lutecio-PSMA-617 (Pluvicto) TM.

 

Medicina nuclear e os benefícios para o tratamento do câncer de próstata

A medicina nuclear utiliza radiofármacos para diagnósticos e tratamentos altamente precisos. Esses materiais radioativos localizam células cancerígenas, ajudando a determinar o estágio do câncer e o tratamento mais adequado.
Duas dessas terapias inovadoras são o exame PET-PSMA68Ga e o tratamento Lu-PSMA-617 (Pluvicto) TM.

 

O que é o exame PET-PSMA68Ga?

O PET-PSMA68Ga é um exame avançado para rastreamento do câncer de próstata, utilizando Gálio-68, uma substância radioativa de baixa dosagem. Ele é indicado em casos de recidiva ou estadiamento inicial do câncer de próstata de alto risco, permitindo uma análise detalhada do estágio do tumor e ajudando a determinar a melhor abordagem terapêutica.

 

O que é o tratamento  PSMA-Lutécio177 (Pluvicto)TM?

O PSMA-Lutécio177 é uma evolução no tratamento do câncer de próstata avançado, especialmente para pacientes que não responderam a tratamentos convencionais. Os resultados têm sido promissores, proporcionando uma nova esperança para muitos pacientes.

 

Cobertura dos planos de saúde para PET-PSMA e  PSMA-Lutécio177 (Pluvicto) TM.

Embora esses procedimentos ainda não estejam no Rol de Procedimentos da ANS, a negativa de cobertura pelas operadoras de planos de saúde pode ser considerada abusiva. Quando há recomendação médica para um exame mais preciso ou uma terapia sem alternativas, o plano de saúde é obrigado a fornecer cobertura. Negativas indevidas podem e devem ser contestadas judicialmente.

 

O direito do paciente à cobertura imediata pelo plano

Pacientes que enfrentam negativa de cobertura podem obter autorização imediata por meio de uma liminar judicial. A ação pode garantir a realização de exames, tratamentos e até mesmo medicamentos essenciais.

 

Como proceder em caso de negativa do plano de saúde?

Reúna todos os documentos e procure um advogado especializado em direito à saúde. Ele poderá preparar e apresentar o pedido de liminar corretamente, garantindo seus direitos de forma ágil e eficaz.

Acionar o Poder Judiciário contra negativas abusivas do plano de saúde é um direito. O Judiciário frequentemente decide em favor do consumidor nessas situações, reforçando o direito a tratamentos dignos e inovadores.

É fundamental estar informado sobre seus direitos. Diante de qualquer negativa, não hesite em buscar auxílio jurídico e lutar pelo acesso ao tratamento necessário. Sua saúde é um direito, e os planos de saúde têm a obrigação de garantir o atendimento adequado e necessário.

Atenção: Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa. Não substitui orientações médicas ou jurídicas individualizadas.

TATIANA KOTA - Advogada

Advogada, Tatiana Kota.

Para decisões sobre tratamentos ou medidas legais, consulte um profissional qualificado.

Conteúdo publicado em: 21/01/2024
Conteúdo atualizado em: 13/03/2026
Autoria técnica: Tatiana Kota, advogada do Vilhena Silva Advogados – OAB: 238.323
Revisão jurídica: Equipe Vilhena Silva Advogados

 

Eletroconvulsoterapia (ECT)

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O plano de saúde é obrigado a cobrir a Eletroconvulsoterapia (ECT)?

A Eletroconvulsoterapia (ECT), popularmente conhecida como eletrochoque, é um procedimento médico moderno que utiliza estímulos elétricos controlados, sob anestesia geral, para induzir uma breve atividade convulsiva no cérebro. Diferente dos estigmas do passado, a ECT é hoje uma técnica segura, indolor e altamente eficaz para o tratamento de quadros psiquiátricos graves e resistentes a medicamentos.

O procedimento atua na reorganização da atividade cerebral e na modulação de neurotransmissores essenciais, como serotonina, noradrenalina, dopamina e glutamato, sendo frequentemente a última e mais eficaz linha de defesa para pacientes com depressão refratária, transtorno bipolar ou risco iminente de suicídio.

 

A negativa de cobertura pelo plano de saúde com base no Rol da ANS é justificável?

 

É comum que beneficiários, ao solicitarem a autorização para as sessões de ECT, enfrentem a negativa da operadora de saúde sob o argumento de que o procedimento não consta no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS ou que não preenche as diretrizes de utilização (DUT).

No entanto, essa negativa pode ser considerada abusiva. O entendimento jurídico atualizado, especialmente após a Lei nº 14.454/2022, estabelece que o Rol da ANS é uma referência básica, mas não taxativa em termos absolutos. Se houver eficácia comprovada à luz das ciências da saúde e recomendação de órgãos técnicos, a cobertura deve ser assegurada.

 

O entendimento do Poder Judiciário sobre a cobertura da  Eletroconvulsoterapia (ECT) pelo plano.

A jurisprudência brasileira tem consolidado o entendimento de que a escolha da melhor terapêutica cabe ao médico e não à operadora do plano de saúde. Se o médico prescreve a ECT como o tratamento necessário para a preservação da vida ou saúde mental do paciente, a exclusão por ausência no Rol da ANS torna-se insustentável.

Diferente de entendimentos anteriores baseados em súmulas que perderam força, os tribunais hoje fundamentam as decisões na função social do contrato e na dignidade da pessoa humana. O argumento é claro: o plano de saúde pode limitar as doenças cobertas (conforme o contrato), mas não pode restringir o tipo de tratamento alcançado para a cura de uma doença coberta.

Como agir diante da negativa de cobertura de tratamento pelo plano de saúde?

Caso o plano de saúde negue o custeio da Eletroconvulsoterapia, o beneficiário possui mecanismos legais para garantir o acesso ao tratamento. Em situações de urgência, é possível ingressar com uma ação judicial com pedido de liminar (tutela de urgência).

A liminar é uma decisão provisória proferida pelo juiz logo no início do processo, visando garantir que o paciente não sofra danos irreparáveis pela demora. Se concedida, a operadora é obrigada a custear as sessões imediatamente, sob pena de multa diária.

Documentação Necessária

Para fundamentar a ação judicial, o paciente deve reunir:

  • Relatório médico detalhado: documento fundamental onde o médico deve descrever o diagnóstico, o histórico de tratamentos anteriores (sem sucesso) e a justificativa técnica para a urgência da ECT.
  • Negativa por escrito: é direito do consumidor exigir que a operadora forneça a negativa de cobertura por escrito (ou o número de protocolo da negativa).
  • Documentos pessoais: cópia do RG, CPF e carteirinha do plano de saúde.
  • Contrato e comprovantes: Cópia do contrato de prestação de serviços e os três últimos comprovantes de pagamento das mensalidades.

É fundamental estar informado sobre seus direitos. Diante de qualquer negativa, não hesite em buscar auxílio jurídico e lutar pelo acesso ao tratamento necessário.

Atenção: Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa. Não substitui orientações médicas ou jurídicas individualizadas.

TATIANA KOTA - Advogada

Advogada, Tatiana Kota.

Para decisões sobre tratamentos ou medidas legais, consulte um profissional qualificado.

Conteúdo publicado em: 12/02/2025
Conteúdo atualizado em: 13/03/2026
Autoria técnica: Tatiana Kota, advogada do Vilhena Silva Advogados – OAB: 238.323
Revisão jurídica: Equipe Vilhena Silva Advogados

Venclexta; venetoclax; plano de saúde; rol da ANS; medicamento oncológico; direito à saúde

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Cobertura do Venclexta® (Venetoclax) pelo plano de saúde

O medicamento Venclexta® (venetoclax) é uma terapia-alvo utilizada no tratamento de doenças hematológicas graves, como a Leucemia Linfocítica Crônica e a Leucemia Mieloide Aguda. Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa, com base na legislação brasileira vigente, e aborda quando a cobertura pelo plano de saúde pode ser discutida à luz das normas da ANS, da Lei dos Planos de Saúde e da jurisprudência atual.

 

Cobertura do Venclexta e o Rol da ANS

Tatiana Kota, advogada do Vilhena Silva Advogados

Tatiana Kota, advogada do Vilhena Silva Advogados

Durante anos, planos de saúde negaram a cobertura do Venclexta sob o argumento de que o medicamento não constava no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Esse cenário foi parcialmente alterado com a edição da Resolução Normativa ANS n.º 611, de 30 de julho de 2024, que incluiu o Venetoclax no Rol de cobertura obrigatória, para indicação específica.

 

Venclexta no Rol da ANS: Indicação com cobertura obrigatória (RN n.º 611/2024)

Venetoclax (Venclexta® em combinação com ibrutinibe, para tratamento de pacientes adultos com Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) ou Linfoma Linfocítico de Pequenas Células (LLPC), em primeira linha de tratamento.

A norma entrou em vigor em 2 de setembro de 2024. Para essa indicação específica, não é legítima a negativa de cobertura baseada na ausência do medicamento no Rol da ANS.

 

Tratamento com Venclexta Fora do Rol da ANS:

A inclusão do venetoclax no Rol da ANS não se limita às hipóteses em que o medicamento pode ser exigido judicialmente. Existem situações em que a cobertura pode ser reconhecida mesmo para indicações não expressamente previstas no Rol, como ocorre em determinados casos de Leucemia Mieloide Aguda (LMA) ou em linhas terapêuticas distintas.

A Lei n.º 9.656/1998 (Lei dos Planos de Saúde), em seu art. 10, § 13, incluído pela Lei n.º 14.307/2022, estabelece que a cobertura de procedimentos fora do Rol da ANS pode ser exigida quando atendidos, cumulativamente, critérios como:

  • existência de prescrição médica fundamentada;
  • comprovação de eficácia do tratamento à luz da medicina baseada em evidências;
  • inexistência de substituto terapêutico eficaz previsto no Rol;
  • registro do medicamento na ANVISA.

Assim, a negativa automática de cobertura, exclusivamente com base na ausência do procedimento no Rol, não encontra respaldo absoluto na legislação atual.

 

Registro do Venclexta na ANVISA

O Venclexta® (venetoclax) possui registro sanitário regular na ANVISA, o que é requisito importante para discussão de cobertura pelos planos de saúde.

As indicações aprovadas no Brasil incluem, entre outras:

  1. Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) e Linfoma Linfocítico de Pequenas Células (LLPC);
  2. Leucemia Mieloide Aguda (LMA), em combinação com outros agentes, conforme bula aprovada.

O venetoclax atua como inibidor seletivo da proteína BCL-2, induzindo a apoptose das células tumorais, com perfil terapêutico distinto da quimioterapia convencional.

As informações deste artigo possuem caráter exclusivamente informativo, com base na legislação e jurisprudência vigentes à época da atualização, não substituindo a análise individualizada de um profissional habilitado.

Conteúdo publicado em: 12/01/2026
Autoria técnica: Tatiana Kota, advogada do Vilhena Silva Advogados – OAB: 238.323
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saúde suplementar; planos de saúde; Frente Parlamentar; ética na saúde; judicialização; ANS

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O Globo | Luciana Casemiro

Câmara dos Deputados lança nesta terça-feira a Frente Parlamentar em Defesa da Ética na Saúde Suplementar

A Câmara dos Deputados lança nesta terça-feira a Frente Parlamentar em Defesa da Ética na Saúde Suplementar, com o objetivo de debater a atuação dos planos de saúde. O requerimento do deputado Rodrigo Valadares contou com a assinatura de 205 deputados federais. Segundo dados da Aliança Nacional em Defesa da Ética na Saúde Suplementar (Andess), o número de ações judiciais contra operadoras de planos de saúde praticamente dobrou entre 2021 e 2024, passando de cerca de 160 mil para mais de 300 mil processos por ano. No mesmo período, as reclamações assistenciais registradas na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mais do que dobraram, foram de 188.228 para 375.917, como negativa de coberturas, dificuldade de acesso ao atendimento, rescisão unilateral de contratos, sem falar nos reajustes. Já o lucro do setor vem batendo recordes, chegando a R$ 17 bilhões no terceiro trimestre deste ano.

— A saúde suplementar é estruturada por pacientes, consumidores, profissionais que atuam no setor, empresários, fornecedores, além do setor hospitalar, de diagnóstico e das operadoras de saúde. De todos esses atores, os únicos que têm uma representação clara são as operadoras, responsáveis por um vultoso financiamento não apenas no âmbito político, mas também no representativo. A Frente Parlamentar é a confirmação da necessidade dessa representação — afirma José Ramalho Neto, presidente da Andess, entidade que dará suporte técnico aos trabalhos da Frente.

A médica Ligia Bahia, do Instituto de Saúde Coletiva da UFRJ, destaca que os planos de saúde privados ocupam cada vez mais espaço na agenda pública. Segundo ela, a relevância do tema se explica por duas razões principais: de um lado, as necessidades de saúde dos usuários; de outro, as pressões das empresas por desregulamentação.

— Existe um histórico de derrotas dos lobbies empresariais de saúde no Congresso Nacional. Ainda assim, as empresas mantêm um forte poder de veto a iniciativas voltadas ao controle de preços e à ampliação de coberturas. É um cabo de guerra. Nesse sentido, a existência da Frente pode contribuir para um debate mais aberto sobre o futuro dos planos de saúde — avalia Ligia.

Rafael Robba, especialista em Direito à Saúde

Advogado especializado em Saúde Rafael Robba, do escritório Vilhena e Silva

O advogado especializado em Saúde Rafael Robba, do escritório Vilhena e Silva, também considera a iniciativa positiva, mas pondera que o simples debate não será suficiente.

— A criação de uma Frente ajuda a dar visibilidade ao tema, mas precisa ir além do debate. É necessário avançar em ações práticas para mudar, de fato, a realidade dos consumidores de planos de saúde. Há lacunas na legislação que dependem de regulamentação para garantir maior proteção aos usuários. Além disso, parte significativa das abusividades decorre de condutas reiteradas que poderiam ser fiscalizadas e punidas com mais eficiência pela ANS, já que se trata de descumprimento contratual — afirma.

Resta acompanhar como será o andamento dos trabalhos na Câmara. Vale lembrar que está há cinco meses na Presidência da Casa um requerimento, com 174 assinaturas, que pede a instalação de uma CPI dos planos de saúde, destinada a apurar supostas barreiras irregulares ao acesso a tratamentos.

A Frente será lançada durante o I Fórum Nacional em Defesa da Ética na Saúde Suplementar, que acontece das 9h às 18h, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. O evento reunirá parlamentares, representantes do Procon, do Ministério Público Federal, além de associações, conselhos profissionais, entidades da sociedade civil e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Brukinsa; câncer hematológico; custeio plano de saúde; direito à saúde; medicamento Brukinsa; ação judicial plano de saúde

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Medicamento Brukinsa (zanubrutinibe) pelo plano de saúde: entenda seus direitos e como solicitar o custeio

Ao receber o diagnóstico de um câncer hematológico e ser informado de que o Brukinsa — medicamento prescrito pelo seu médico — possui alto custo, é natural sentir preocupação. Mas é importante saber que, por estar aprovado pela Anvisa e incorporado ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, sua cobertura é de fornecimento obrigatório pelos planos de saúde, conforme a Lei n.º 9.656/1998, que estabelece as coberturas mínimas de assistência médica.

Por que o medicamento Brukinsa (zanubrutinibe) deve ser custeado pelo plano de saúde?

 

O Brukinsa (zanubrutinibe) possui registro ativo e válido na Anvisa e foi incorporado ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, lista que define a cobertura mínima obrigatória dos planos regulamentados, conforme art. 10 da Lei n.º 9.656/1998.

Isso significa que o fornecimento é obrigatório, desde que haja indicação médica. Além disso:

  • possui indicações aprovadas em bula para Linfoma de Células do Manto (LCM), Macroglobulinemia de Waldenström (MW) e Linfoma de Zona Marginal;

  • apresenta eficácia e segurança comprovadas cientificamente;

  • a escolha terapêutica cabe exclusivamente ao médico assistente, não ao plano de saúde.

Ainda que não estivesse no Rol, o medicamento atenderia todos os requisitos definidos pelo STF para cobertura excepcional. No entanto, como o Brukinsa já está incorporado ao Rol, a negativa é indevida por violar a cobertura mínima obrigatória.

Como solicitar o custeio do Brukinsa ao plano de saúde

Ao protocolar o pedido, o beneficiário deve apresentar:

  • Laudo médico detalhado, explicando o diagnóstico e a necessidade do medicamento;

  • Histórico de tratamentos anteriores, se houver;

  • Prescrição formal do Brukinsa.

A operadora deve analisar o pedido de forma técnica, individualizada e dentro dos prazos regulamentares da ANS, conforme Resolução Normativa n.º 395/2016.

O plano de saúde pode recusar o fornecimento?

A advogada Tatiana Kota, especialista em Direito à Saúde do Vilhena Silva Advogados, esclarece:

TATIANA KOTA

Advogada Tatiana Kota, especialista em Direito à Saúde do Vilhena Silva Advogados

“Negativas baseadas na suposta ausência do medicamento no Rol não se sustentam. O Brukinsa (zanubrutinibe) está incorporado ao Rol da ANS, possui registro na Anvisa e prescrição fundamentada. Nessas condições, a cobertura é obrigatória, conforme a Lei 9.656/98 e a própria regulamentação da agência.”

A Lei 14.454/22 reforça que o Rol funciona como referência mínima, e não como limite absoluto.
No caso do Brukinsa, a cobertura é obrigatória tanto pelo Rol quanto pelos critérios legais e jurisprudenciais.

O que fazer se o plano de saúde negar o Brukinsa?

Se houver negativa:

  1. Solicite nova análise e apresente os fundamentos legais e a incorporação do medicamento ao Rol.

  2. Registre reclamação na ANS, que pode intervir administrativamente.

  3. Procure orientação jurídica especializada, levando:

 

  • documentos pessoais;

  • contrato ou carteirinha do plano;

  • comprovantes de pagamento;

  • laudos médicos;

  • prescrição do medicamento;

  • a negativa formal da operadora.

Um advogado poderá avaliar a necessidade de ação judicial com pedido de liminar.

Caso real: Justiça determina fornecimento imediato do Brukinsa

Uma paciente de 66 anos, diagnosticada com Macroglobulinemia de Waldenström, teve o medicamento negado. Após ação judicial, a liminar foi concedida em poucos dias, determinando o fornecimento contínuo do Brukinsa enquanto houver necessidade.

Em situações de urgência, decisões assim costumam ser analisadas em até 72 horas, conforme prática consolidada do Judiciário.

 

Como o medicamento Brukinsa:

  • possui registro na Anvisa,

  • está incorporado ao Rol da ANS,

  • tem prescrição médica fundamentada,

  • e possui comprovação científica,

a cobertura é obrigatória pelos planos de saúde, tanto pela legislação quanto pela regulamentação vigente.

Se você enfrentou negativa, busque informação, registre reclamação e, se necessário, procure suporte jurídico.
Você tem direito ao tratamento mais adequado e baseado na melhor evidência científica disponível.

 

Atenção: Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa. Não substitui orientações médicas ou jurídicas individualizadas. Para decisões sobre tratamentos ou medidas legais, consulte um profissional qualificado.

plano de saúde; hospital de retaguarda; internação; negativa de cobertura; direito à saúde; ANS

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Entenda quando o hospital de retaguarda deve ser coberto pelo plano de saúde e o que fazer em caso de negativa da operadora.

Quando um paciente recebe alta hospitalar, nem sempre está pronto para voltar para casa. Muitas vezes, ele ainda precisa de cuidados médicos contínuos e especializados.
Nessas situações, é possível recorrer aos hospitais de retaguarda, também chamados de unidades de cuidados prolongados ou de transição, que oferecem acompanhamento médico, fisioterápico e de enfermagem para garantir a recuperação completa do paciente.

Segundo a advogada Letícia Fernandes Caboatan, especialista em Direito à Saúde do Vilhena Silva Advogados, a negativa de cobertura por parte das operadoras é comum, mas pode ser indevida, dependendo do caso.

Letícia Caboatan - Vilhena Silva Advogados

Letícia Caboatan – advogada especialista em direito à saúde

 

Para quem os hospitais de retaguarda são indicados?

Essas unidades são recomendadas para pacientes que já superaram a fase crítica da doença, mas ainda necessitam de monitoramento médico e reabilitação.
Entre os casos mais frequentes estão:

  • pessoas que passaram por cirurgias complexas;

  • pacientes em fase avançada de doenças crônicas;

  • vítimas de acidentes que precisam de fisioterapia intensiva ou cuidados especializados.

O ambiente hospitalar controlado e a equipe multidisciplinar reduzem riscos e aceleram o processo de recuperação.

Por que os hospitais de retaguarda são importantes

Mesmo sendo essenciais, é comum que as operadoras recusem a cobertura alegando exclusão contratual.
Entretanto, conforme as normas da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e decisões recentes do STJ, o plano deve garantir cobertura sempre que a internação for necessária à recuperação do paciente, conforme indicação médica.

Outro argumento usado é o de substituir o hospital por um cuidador domiciliar. Porém, essa opção não é adequada para casos que exigem acompanhamento médico constante, o que torna a negativa abusiva.

O que fazer em caso de negativa do plano de saúde

  1. Solicite a negativa por escrito — a operadora é obrigada a justificar o motivo da recusa.

  2. Procure um advogado especializado em Direito à Saúde — o profissional poderá avaliar se a negativa é indevida e orientar sobre as medidas cabíveis.

  3. Guarde todos os documentos médicos que comprovem a necessidade da internação em hospital de retaguarda.

Se a situação for urgente, é possível buscar uma medida judicial, que pode garantir o início imediato do tratamento.
A Justiça tem reconhecido o direito à continuidade da assistência médica quando o hospital de retaguarda é indicado por critério clínico.

Os hospitais de retaguarda desempenham papel essencial na recuperação de pacientes que ainda necessitam de cuidados médicos especializados.
Se o plano de saúde negar cobertura, é importante conhecer seus direitos e buscar orientação jurídica qualificada para garantir a continuidade do tratamento.